Seguidores dos Guardiões e Guardiães de Umbanda

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sobre a Capacidade de Manipulação Energética de Exu Guardião




Exu é um grande manipulador de energias, transfigurando-se em formas diferenciadas de acordo com o ambiente em que se faz necessário.

A exemplo disso vemos que Exu pode se apresentar aos obsessores que irá combater em configuração que desperte medo e/ou respeito. Eles assumem formas rudes, por estratégia e não por serem deformados. Eles não têm chifres, rabos e pés de bode, como vemos em imagens de algumas casas de artigos religiosos.

Como Exu manipula energias para assumir outra configuração “física”? Em primeiro lugar há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos como nós, muitos são contemporâneos inclusive.

Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim... Assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões.   A transformação se dá de acordo com o trabalho que irá executar ou da “batalha” que irá travar,ele estuda o ambiente que irá entrar e em seguida, vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus “adversários”, suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc. Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de Orixá.

Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de energia.

E isso é feito sem a necessidade de sacrifícios de animais e/ou despachos em encruzilhadas, porque quem “recebe” tudo isso é kiumba (são denominados kiumbas os espíritos desencarnados inferiores, sofredores e mistificadores, perturbadores ou malfazejos, espíritos moralmente atrofiados ou que buscam apenas tumultuar o ambiente). um Kiumba, ser trevoso e inteligente, somente atuará na vida de alguém, se esta pessoa for concomitante com ele, em seus atos e em sua vida. Os afins se atraem.

O médium disciplinado, doutrinado e evangelizado, jamais será repasto vivo dessas entidades. Lembre-se que o astral superior é sabedor e permite esse tipo de atuação e vibração para que o médium acorde e reavalie seus erros, voltado à linha justa de seu equilíbrio e iniciação.

Como os Kiumbas são inteligentes, quando atuam sobre um médium, se fazendo passar por um Guardião, e imediatamente assumem um nome, que jamais será os mesmos dos Guardiões de Lei, pois são sabedores da gravidade do fato, pois quando assumirem um nome exotérico ou cabalístico iniciático de um verdadeiro Guardião, imediatamente e severamente serão punidos.

Fonte: Site do Caboclo Pery

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O "Doido"




Eita! Que nem bem firmou o seu Santo e lá vem de novo o doido nas encruzilhadas.

Antes de ontem, firmou também no cruzeiro do Campo Santo e nem licença pediu o intrometido que tenta de novo.
Deita o aperitivo importado como ele gosta de oferecer para receber o melhor que quer e fatiadas as carnes do animal no dendê e bem apimentada, na tigela de barro, a farofa sobre os panos.

Põe o charuto do melhor no canto esquerdo e o acende, enquanto enreda os punhais e tridentes e as velas pretas firmadas ao contrário em cima das fotografias avermelhadas por sangue dos que não gosta e da vermelha firmada direito. E ainda pulveriza as pólvoras, o desgraçado metido na bronca de quem acha que o ofendeu. E risca o palito do fósforo faiscando nelas no círculo abrindo as forças das trevas.

Derruba mais pemba preta triturada por cima e se põe de joelhos a pedir ajuda.

Ajuda? Ele pede sim para eliminar aquele irmão, pois que acha que a encrenca que veio na vida dele foi devido as maldades e maldições deste.

Olha o que o doido foi pedir? E de novo! Deveria refletir e desistir porque todo o mês ele faz estas coisas, variando nas receitas rituais que vai colecionando de uns e de outros que paga com o dinheiro ganho em tratativas desonestas. 

Firma a vela para seu Santo na devoção do bem e depois vem arredar suas broncas ativando e fazendo o mal.

Seu Santo Vê e consente à Esquerda que é Santa também, a Resolver. 

E vamos vendo, registrando, e deixando os trevosos se alimentar destas energias.

Até quando este cabra endoidar de vez, pois sem perceber, desde quando conheceu estas coisas de magias, inverte tudo e inverte a própria vida. Pois tem preguiça na sua vida de fazer o certo. 

No seu dia a dia, não se permite a compreender e fingindo na cara de pau de se dizer ser filho do Santo e medianeiro, solta um sorriso falso e até tenta comprometer a Justiça do Sagrado Orixá Xangô, mas seu pensar projeta pragas e maldições.

É assim: “...você vai ver o que é bom pra tosse, desgraçado... vai mexer comigo...”: é o que costuma pensar enquanto falseia fingindo integridade que não tem, no caráter que nem sabe mais o que é!

Este maloqueiro da Tenda de Luz é alimentador das Trevas e acha que para os problemas que todos têm ou podem ser vítimas para aprendizado da Fé, este tipo de devolução para ele é a ativação da Lei e da Justiça?!

Está começando a endoidar de vez, pois já pensa que pode controlar a Justiça Divina.

Doido!

Olha lá. Abriu mais um grande portal onde os trevosos se juntam na alma dele e já são tantos! Ele os sente e acha que o mal que sofre é praga dos outros!

Há, há,há!

E pede e pede. Vai pedindo, doido, pede mais! Quer ser o bom, não é? A Cara Pálida que mata o índio e pega seu ouro e sua mulher? Que desgraça de alma pecadora!

Não aprende esta alma delinqüente. E ainda improvisa chafurdando o nome Sagrado dos Orixás da Fé.

Enquanto as trevas fazem o que querem no seu banquete, vamos lá identificando o alvo que seria atingido pela magia negra do doido.

(...)
Moço esforçado este, hein! Está lá, se esforçando, aprendendo na Gira e na caridade de ajudar. É sincero o garboso. Quer se melhorar. Tem Fé. Seus Guias Protetores me concede a licença de intervir para o que virá. E assim, protejo o moço e todas as energias que vem da firmeza negativa, vai se transformando em Luz e Paz.

O Moço sente e agradeça a graça e ainda pede para os Orixás a Luz para seus inimigos.

Que grande homem este que se esforça para eliminar seus erros. Tem méritos e pelo sentimento dele, que sempre buscam devolver o mal, mesmo os sofridos, na forma de bênçãos no bem, Irradiando ao Pai Olorum e aos Orixás para ser a Vontade Divina e pede proteção. 

Ele as tem. E graças a ela, o doido não se esculacha de vez, morrendo nas trevas da ignorância que ele mesmo firmou achando que poderia escravizar e, ao contrário, será escravo das mesmas sombras que se atreveu a atiçar. Todas iguais a ele: metido no mundo utilizando do poder divino para prejudicar.

Não sabe que nem Olorum e os Orixás prejudicam? Mas a Lei está em todos os lugares e além de não prejudicar também, ela faz efetivar a Justiça, equilibrando tudo.

Olha lá o doido, saindo sorrateiro com seu Guardião do Lado a se lamentar, mas esperando que um dia, o doido entenda que a Magia Negra, de qualquer forma, contraria a Lei Maior e a Justiça Divina e para quem ativou, a certeza que para ele voltará.

Em dobro! Em triplo, Em tantos múltiplos de vezes até que o doido decida se quer ser um homem de paz ou vampiro das trevas e assim, deixe de atormentar os outros.

Se há tantos famintos nas trevas, o doido deveria perceber que o alimento que os fará de lá sair, são as firmezas no bem para o mal que já fizeram e concederia no seu pedido a paz.
Mas, senão, quem o fizer no mal, sempre farão das trevas as suas melhores companhias.

E os Seus Guardiões lamentarão, mas sempre os aguardarão, até que um dia...

Até lá, vamos aí procurando ativar a bondade, protegendo os filhos do Amor, da Fé e da Paz que sabem que os Sagrados Rituais, não são brincadeira, nem ferramentas para uso por mentais delinqüentes à Verdade do Pai Maior.

Exu Omojubá!

Saravá ao senhor Tranca Ruas das Almas, Laroyê!

Senhor Exu Tranca Ruas das Almas psicografada por Douglas O Elias.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Exu, O Grande Paradoxo na Caridade Umbandística




Poder-se-ia aprofundar esta questão, polêmica por si. Como por exemplo, refletindo as múltiplas facetas de EXU e a diversidade de interpretações existentes nos cultos.

Desde os idos da antiga África que EXU deixa estupefatos os circunstantes.

Para alguns umbandistas, mais ligados a dualidade católico-espirítica é um grande incômodo e não é permitido as suas manifestações.

Para outros liberados de constrições culposas, EXU ainda é vestido pelo inconsciente do imaginário popular com capa vermelha, tridente, pé de bode, sorridente entre labaredas.
Há os que “despacham” EXU para não incomodar o culto aos “orixás”.

Exu, sendo considerado entidade, não deve entrar, dizem os ortodoxos que preconizam a pureza das nações. Ali não tem lugar para egum... espírito de morto...

Existem os mais entendidos nos fundamentos da natureza oculta que compreendem EXU como o movimento dinâmico de comunicação entre os planos de vida. Entendem que o axé – asé – impulsiona a prática litúrgica que, por sua vez, o realimenta, pondo todo o sistema em movimento. EXU, vibração indiferenciada, não manifestada na forma transitória de um corpo astral ou outro veículo do plano concreto, é o que põe em movimento a força do axé – asé – por meio da qual se estabelece a relação de intercâmbio da dimensão física – concreta – com a rarefeita, a dimensão espiritual.

Em conformidade com esta conceituação, passa EXU a ser indispensável e o elemento de ligação mais importante em toda liturgia e prática mágica umbandística.

Sendo EXU o transportador, o que leva e traz, fecha e abre, para os africanistas ligados as tradições antigas, como concebê-lo sem o sacrifício animal para realimentação da força vital – o asé -, diante do preceito- tabu – que o sangue é o perfeito e indispensável condensador energético com esta finalidade?

Quando referimos africanista, não que dizer negro. Para ser africanista, no sentido de se preconizar a retomada dos antigos ritos tribais, pode se ter qualquer cor de pele. Existem muito negros que tem verdadeira ojeriza a qualquer sacrifício assim como há muitos brancos a postos com a faca afiada.
Neste artigo não se preconiza contra as oferendas ritualísticas.
Pedimos tão somente a reflexão.

Reduzir toda a movimentação das forças cósmicas e seu ciclo retro-vitalizador ao derramamento de sangue pelo corte sacrificial é uma visão estreita, fetichista, da DIVINDADE. É uma posição reducionista, que demonstra dependência psicológica. Na atualidade se verifica que esta “práxis” extrapolou os limites de fé dos antigos clãs tribais e está inserida na variedade racial da sociedade que a compõe e ao mesmo tempo a confronta, já que objetiva a manutenção financeira de cultos religiosos e o prestígio de seus chefes, dado que o sangue equivocadamente está ligado a força, poder, resolução de problemas e abertura dos caminhos. Saber manipulá-lo, ter cabeça feita, ser iniciado no santo simboliza este poder. Este apelo mágico divino atrai mais que retrai, pelo natural imediatismo das pessoas em resolver seus problemas.

Afirmamos que é plenamente possível se movimentar todo o axé – asé -, harmonicamente integrado com a natureza de amor cósmico e crística da Umbanda, equilibrado com a sua essência que é fazer a caridade desinteressada, e GRATUÍTA, sem ceifar vidas e derramar sangue.

O próprio aparelho mediúnico é o maior e mais importante vitalizador do ciclo cósmico de movimentação do axé – asé. Ele é o “fornecedor”, a cada batida do seu coração, o sangue circula em todo seu corpo denso, repercutindo energeticamente nos corpos mais sutis e volatilizando no plano etéreo. Desta forma, os espíritos mentores, que não produzem estas energias mais densas e telúricas, se valem de seus médiuns que fornecem a vitalidade necessária aos trabalhos caritativos aos necessitados. Há os espíritos que vampirizam estes fluídos. São dignos de amor, de amparo e socorro, o que fazem as falanges de Umbanda.

Yutomi* - O Caravaneiro do Umbral
Médium Pai Norberto Peixoto
Dirigente da Choupana do Caboclo Pery
(terreiro filiado ao CECP)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Verdadeiro Compromisso do Médium




Há muito havíamos aprendido a admirar aquela jovem mulher, com seus trinta e cinco anos, aproximadamente. Havia sido campeã de natação, e agora se encontrava profundamente enferma: diabética de difícil controle, hipertensa, obesa... Mas nunca perdia seu otimismo, seu senso de humor, sua força interior.

Com a diabetes avançada, sua visão foi se deteriorando e a circulação periférica se comprometendo, até que, infelizmente, teve que amputar uma das pernas.

Mas nada disso tirava sua força interior.

Só havia uma coisa nela que eu não compreendia bem: ela vivia à custa de “trabalhos espirituais” que dizia fazer para o bem de seus semelhantes. Era “mãe de santo”, como dizemos no Brasil quando nos referimos às líderes de terreiro de religiões afro-brasileiras. Mas era daquelas de ir à meia-noite ao cemitério levar oferendas aos seus guias (?!?).

Um dia, pouco tempo após ter amputado sua perna, procurou conhecido dirigente espírita de nossa região, para uma orientação. Estávamos juntos. Era a primeira vez que a víamos angustiada. Algo a atormentava.

Então ela iniciou o diálogo com algumas perguntas: “Vocês são espíritas, não são? Vocês acreditam na mediunidade, não acreditam? Vocês sabem que eu sou médium e que trabalho para ajudar pessoas... Então, por que deveria eu parar de fazer o que faço só porque minha mãe acha que o que faço é coisa ‘do demônio’?”.

Aos poucos compreendemos o conflito que ela apresentava. Enferma como estava, não iria mais poder continuar suas tarefas, que a sustentavam e lhe permitiam morar sozinha. Teve que se amparar com seus pais, que, para sua infelicidade, eram evangélicos. Puseram-se à disposição para acolhê-la em sua casa, mas desde que não “mexesse” mais com “essas coisas”.

Ela queria a opinião desse dirigente. Aguardamos, também ansioso, o que ele diria. Pensamos que se basearia na questão da venda da mediunidade. Mas nos surpreendemos com sua colocação, que foi muito além do que imaginávamos.

Ele disse mais ou menos assim:

– “Minha irmã, sua mediunidade é inquestionável e seu esforço é louvável. No entanto, só há um problema que deve ser levado a uma reflexão mais profunda: O conhecimento da vida após a vida física, bem como a compreensão da possibilidade da comunicação dos Espíritos conosco, nos coloca numa condição de débito para com a comunidade onde vivemos. O dever de ajudar aqueles que não compreendem essa realidade, espiritualizando-os”.

“Para isso, os Espíritos que por nós se comunicam deveriam participar desse grande movimento de espiritualização por que passa a Terra”.

“Através de sua mediunidade, seus guias, infelizmente, estão tornando aqueles que a procuram mais materialistas, porque, em vez de os despertarem para a realidade da vida espiritual, ficam ajudando-os a resolver os problemas de ordem material: financeiros, afetivos... Muitos dos quais, movidos por ciúmes, vaidade e egoísmo.”

E concluiu, sem deixar margem para qualquer questionamento ou justificativas:

“Embora a senhorita diga que faz o que faz para o bem do semelhante, na verdade não o está fazendo, comprometendo-se, junto com esses Espíritos, com a evolução moral daqueles que a procuram.”

A jovem mulher deixou o ambiente um tanto constrangida, mas ciente de que teria agora de guardar suas forças para a nova luta que se lhe apresentava.

Encontramo-la uns cinco anos depois, quando ela já estava completamente cega. Quando a vimos, chamamo-la pelo nome e ela, com a força que sempre caracterizou seu espírito, reconheceu-nos pelo tom de nossa voz, e cumprimentou-nos, com muita alegria. Disse estar se adaptando àquela situação da qual não poderia mesmo se esquivar. Mais tarde, soubemos por conhecidos em comum que ela já tinha partido para a pátria espiritual. Aprendemos muito com ela e com a lição deixada por aquele dirigente sobre o compromisso do médium com a humanidade.

Por José Antonio Vieira de Paula
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Não haveria luz se não fosse a escuridão...

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.”

Allan Kardec.

Liga da Justiça Umbandista

Liga da Justiça Umbandista
O Homem de Bem O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça. Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. Allan Kardec.