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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Maga da Encruzilhada – Pomba Gira, Guardiã, Protetora e Guia



A SENHORA DA ENCRUZA.

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola. Mas ela não se manifesta apenas em mulheres como também nos homens. Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pomba Gira ou um Orixá que a fundamentasse. Ela era apenas a parte feminina da personalidade de Exu. Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800 ou um pouco antes), estes aqui se encontram com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás. Porque sabemos da dualidade contida na natureza e ela está presente também em Exu.
E com o passar do tempo às formosas e provocativas Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele. Na minha visão de Umbanda-Astrológica eu a vejo como a companheira de Exu, a Lilith, a Lua em sua fase negra, mas, de certa forma a outra metade de Exu ou sua natureza feminina é também aceitável. Porque sabemos que todos os seres muito provavelmente se dividiram, mas eram no principio hermafrodita.

No entanto mesmo se dividindo resta ainda em cada ser uma parte do outro sexo.

No entanto, Bombogira marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência. E não é possível se encontrar poderosas Pombas Giras comandando vários exus com toda força de comando e inteligência magísticas. Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar, dar prazer na cama e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o “eu interior” feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas. Mas sua força, além de complexa, trouxe confusões a muita gente. Aumentando assim fortemente a homossexualidade e comportamentos libidinosos nas pessoas. Sendo que o período mais pesado ocorreu com a passagem de Plutão pelo signo de Escorpião, a qual amplificou muito a liberdade sexual, mas também trazendo ao mundo o surgimento da AIDS com muita força destrutiva, a qual vem tirando o sossego da humanidade até hoje.

Pomba Gira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres. Enganam-se quem pensa que esta entidade só atua no Brasil. Ela trabalha em todos os continentes sob variadas formas e com diversos nomes.

Pomba Gira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada; exibicionista e provocante; insinuante e desbocada; sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade. Mas isso não é nem de longe benéfico a humanidade, não foi daí que surgiram o adultério, prostituição infantil, trafico de mulheres ou de drogas, mas foram amplificados, pela incompreensão das pessoas ao lhe dar com a verdadeira energia oculta da natureza de Bombogira. Essa é sim uma força muito perigosa. Conheço vários Pais-de-santo que pagaram caro por usaram exageradamente essa energia.

Ela foi logo se apresentando como a “moça” da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes. Mas esse não é nem de longe seu perfil verdadeiro. Essa é sim a Senhora ainda em evolução, que está em busca da luz espiritual. Ela é enxergada assim, porque assim se apresentam as que trabalham mais próximas do terra/terra. Mas na verdade a Bombogira já elevada ao posto de Senhora das Encruzas ou Rainha, não deseja nem necessita desse tipo de oferenda, ele e já um orixá e trabalha pelo equilíbrio da sexualidade humana.

“O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais”. Vejam nessa afirmação, que se trata de arquétipo ainda em evolução; que está em luta constante com as regras e que por isso requer também uma intervenção direta dos médiuns, pois a Umbanda e Quimbanda se entrelaçam em seus triângulos, sendo que a ajuda precisa ser mutua.
Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida, e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: “É isso mesmo”! Mas não se enganem, pois há um segredo oculto por traz de tudo isso que só os verdadeiros buscadores vai compreender. E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas. No entanto muitos exageram nessa busca pela tal “liberdade”, pois o homem tem a ilusão de que pode fazer o que quiser, mas ele vive debaixo de Leis.

Daí coloca para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto. No entanto nem todos conseguem entender qual realmente é a verdadeira mensagem que essa Senhora nos quer passar. Mas, a todos eles ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz. Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades. Mas em meio a tudo isso muitos só conseguem confusão, por que a vêem como uma simples escrava, que recebe pagamentos nas encruzilhadas e que usara sua magia para realizar pedidos. Um outro erro notado em quase todas as casas de culto é o limitado numero de Pombas Giras. Muitos chefes de terreiro só identificam Pomba Gira com poucos nomes sendo que a mais conhecida é Maria Padilha. Não sabendo que temos Pombas Giras, do fogo, da água, do vento, das flores etc., e que cada uma tem uma afinidade, missão e atua num plano de ação muito bem definido.

Passou-se a admirar e amar esse fantástico arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento. Pois grande parte da humanidade se identifica facilmente com ele. Pomba Gira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação. Ela é a Kundalini Sagrada e em seu estado mais elevado quando se encontra repleta de Luz, pertence à Corrente Astral de Afrodite, atuando até mesmo como Eros.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa. Saibam que assim como a mulher não é só para estes afazeres, a Pomba Gira também não se presta apenas a atender pedidos e realizar desejos. Antes ela é um desafio que requer de nós compreensão e ajuda-nos a evoluir nossa espiritualidade por meio de nossos sentimentos.

Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas “Moças da Rua”, as companheiras de Exu. E quem compreendeu seu verdadeiro sentido e auxilio conseguiu sim evoluir e aliviar o carma.

A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda-Astrológica sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, o que gostam mesmo é de tudo o que a Pomba Gira representa com seu poderoso arquétipo. Mas, a maioria das pessoas não consegue admitir que tenha uma natureza cheia de defeitos que precisa ser remodelada e amoldada conforme suas necessidades carmicas.

Aos hipócritas e aos falsos puritanos, Pomba Gira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos, mais profundos, intensos e desafiadores, mas também seus pesadelos; provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador. Por isso muitos se achando melhor que os demais passam a andar com uma Bíblia debaixo do braço dizendo que somente o Cristo é que importa. E só porque não trabalha nos sábados, paga o dizimo e vão à igreja todos os dias tem muita luz no espírito, se tornando uma pessoa sem pecados.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas. E não adianta ficar o tempo todo com a Bíblia na mão achando que se livrou dessa companhia, pois ele é parte de cada ser humano e se manifesta no sexo, nos desejos, como também no subconsciente. Certamente se Freud tivesse conhecido essa força desafiadora ele não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos. Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombas Giras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas. No entanto, temos infelizmente muitas “Pombas Giras” involuidas que trabalham em terreiros mal conduzidos que só fazem levar ao povo muitas confusões e desequilíbrios, muitas vezes irreversíveis. Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar, mas quando o ensinamento vem de mãos erradas induzindo a erros, como tomar o parceiro do próximo, ou jogar maldições, só o que se encontra é desarmonia.

Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos. E o pior é que a maioria dos templos só conhece e trabalha com um numero limitado de personificações. Na verdade existe uma quantidade quase inumerável de Pombas Giras que trabalham na Linha de todos os Orixás. E tenham por certo que cada uma delas tem a afinidade perfeita com a energia cósmica de seu médium. Uma Pomba Gira das Sete Encruzilhadas para uma pessoa atua diferente para outra conforme o elemento, o signo e o seu poder ou grau na Hierarquia. Também como os orixás, existem as definições por ciclos, sendo que umas trabalham na linha vibratória dos Guias, outras com os Protetores e as mais fortes com os Orixás Menores. Para ter uma noção mais profundo sobre isso é que eu crie a UMBANDA-ASTROLÓGICA, um método inovador que estuda com precisão o mapa natal do individuo e tem uma visão mais profunda do que uma consulta por incorporações.

Que a Senhora Pomba Gira das Almas, traga luz ao caminho de todos os brasileiros na caminhada e na busca espiritual, trazendo amor para todos. E o mais necessário prudência!

O simbolismo dos nomes é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda e agora mais aprofundado aos astros na UMBANDA-ASTROLOGICA, é a configuração astrológica que vale, sendo que a própria posição das forças astrais apresentadas na hora do nascimento é que contem a visão da força que representa o lado oculto dos nativos. Assim orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades, porque elas podem buscá-la com muito mais precisão e firmeza. Elas são ótimas psicólogas e podem orientar também nas giras de bons terreiros, mas nem todos estão aptos a entender seus ensinamentos. Sabemos que são muito boas psicólogas e se a procurarmos seus conselhos com a mente aberta e o coração limpo vamos sim encontrar uma resposta. E que psicólogas! “Salve as Moças da Rua”! No tarô poderemos identificá-la nos arcanos, assim como na Umbanda-Astrológica, através não de uma só força ou ponto, mas de uma leitura completa de toda configuração revelada.

Por Carlinhos Lima – Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Oferenda de Encruzilhada



Francisco era seu nome. Homem que conheceu desde muito jovem as dificuldades materiais da vida, e acostumado a trabalhar desde o nascer do sol até a noite chegar, agora se aposentava. Saudável e com muita energia, não demonstrava seus cinqüenta e oito anos. Embora de família humilde, recebeu a melhor educação possível transmitida pelo exemplo de seus pais. A única herança que não quis herdar dos progenitores foi à fé. Incrédulo, não seguia nenhuma religião e até zombava delas.

A ociosidade que a aposentadoria trouxe para seu Francisco, o deixava ansioso. Agora que já havia reformado a casa, o galpão, plantado a horta, os dias demoravam muito a passar. Relembrando o dito popular que “cabeça vazia é oficina do mal”, em pouco tempo Francisco sentiu vontade de começar a divertir-se já que até então só havia pensado em trabalho. Morando próximo à cidade, ao entardecer resolveu visitar uma casa de diversões que existia por lá. Entre bebidas, mulheres e prazeres, perdeu a noção de tempo e retornava cambaleante já de madrugada, quando ao chegar numa encruzilhada avistou uma luz fraca no chão. Chegando próximo percebeu que ali tinha um “despacho”, como chamavam aquilo por lá. Uma bandeja grande onde repousava uma ave morta, velas, charutos e uma garrafa de cachaça, além de outros materiais.

Aliado a sua falta de crença em qualquer coisa, estava agora a bebedeira e todas as energias condizentes ao lugar de onde viera. Com desdém e desaforando com palavrões, juntou a garrafa de bebida e os charutos e chutou o resto do material. Até chegar em casa bebeu quase tudo e fumou alguns charutos.

No outro dia contava para a esposa sobre o “achado” e debochava com sarcasmo. A bondosa mulher, cuja mãe em vida era médium benzedeira, respeitava todas as manifestações ligadas ao mundo espiritual, conforme ensinamentos que havia recebido e por isso chamou a atenção do marido, dizendo-lhe que, se não acreditava deveria pelo menos respeitar. “Não presta mexer com trabalho de encruza”, repetia ela preocupada.

Outras noites a cena se repetiu da mesma forma, até o dia em que ao chutar a oferenda, enxergou na sua frente um homem de capa negra, com um chicote trançado na mão. Sua perna paralisou no ar e em pânico saiu pulando numa perna só, caindo e levantando. Por uma boa distância ainda, ouvia a gargalhada daquele homem ressoando no ar.

No outro dia, sentia dor nas costas como se houvesse apanhado e só de lembrar a cena vivida na noite anterior, arrepiava de medo. Temia contar para a esposa, pois sabia que o condenaria novamente pela atitude. Esta, vendo o marido cabisbaixo e triste, perguntou se estava adoentado. Nada respondeu, pois sentia-se como se estivesse, inclusive apresentando febre. Seus sonhos passaram a ser povoados pelo homem de negro e sua gargalhada. Acordava aos gritos e suando muito. Várias noites se repetiram desta maneira, até que resolveu contar para a esposa o que havia acontecido. Ela o aconselhou a tomar umas benzeduras, convidando para ir até um terreiro na vila vizinha. Meio renitente, mas sentindo a necessidade, ele aceitou com um misto de medo e curiosidade.

Após a abertura dos trabalhos com os pontos cantados e orações, ele já se sentia mais tranqüilo. Em frente ao médium que servia de aparelho ao um Caboclo, suas pernas tremiam que mal conseguia parar em pé. Nos ouvidos agora ressoava novamente a gargalhada do homem de negro e seu corpo arrepiava sem parar. Teve vontade de sair correndo daquele lugar, mas suas pernas não o ajudavam. Auxiliado pela esposa e pelo cambono, sentou-se numa cadeira para poder ser atendido pelo caboclo.

- Ogum é que está de ronda… Ogum é que vem rondar… -cantava a corrente, enquanto a entidade limpava com uma espada de São Jorge, o seu corpo etérico impregnado pela energia captada na encruzilhada. Depois com a firmeza característica de sua linha, o caboclo ordenou que ele ficasse de pé e lhe contasse porque estava ali. Desajeitado, mas já mais tranqüilo, falou:

- Acho que mexi com o que não devia. Andei chutando uns “despachos” na encruzilhada e me apavorei com um homem estranho, que acredito não ser deste mundo…

- Tranqüilize que tudo o que é possível ver, ouvir e sentir é deste mundo sim. O senhor acha certo ou errado a sua atitude?

- Ah, eu não sei… Só fazia aquilo por brincadeira…

- E se alguém fosse até a sua casa, chegasse lá chutando os móveis e quebrando tudo, se apoderando de sua comida na hora da refeição, iria gostar?

- Lógico que não!

- Pois é meu senhor. Foi o que fez lá na encruzilhada e por várias vezes, não foi?

- É, foi.

- O que não nos pertence não pode ser por nós seqüestrado. Não importa se o que estava lá é certo ou errado diante de seu entendimento. Além do físico, aquilo tudo tinha uma duplicata etérica que pertencia a alguém no mundo espiritual, com um objetivo e endereço vibratório certo. Cabe aos homens incrédulos, no mínimo respeitar a crença e atitudes dos outros. Lá estava um trabalho de magia – a cor dela não importa – era magia! Elementos e elementares, além de entidades espirituais, lá estavam atuando, se abastecendo da energia animal e etílica e foram incomodados, desrespeitados. O que o senhor presenciou na figura do homem, nada mais foi que a atuação enérgica de seu Exu Guardião lhe colocando no devido lugar, antes que a Lei tivesse que atuar mais duramente. De difícil entendimento com as coisas do espírito, não crendo em nada que não seja palpável, se fez necessário a atuação materializada. Como criança teimosa, precisou da repreensão para só então respeitar. Isso não significa que encruzilhada é lugar de Exu, pelo contrário. Os espíritos que lá buscam se energizar com as oferendas são os chamados quiumbas, espíritos que embora fora do corpo físico, necessitam ainda de energias materiais.

 - Exu… cruzes! Isso é coisa do capeta!

Era momento de esclarecer a verdadeira identidade deste guardião da luz tão mal falado. E assim foi feito.

Ao voltar para casa sentia tamanho bem estar, que naquela noite dormiu tranqüilamente depois de muitas noites de sobressalto, quando não, de insônia.

Suas visitas ao terreiro de Umbanda tornavam-se assíduas onde buscava sabedoria, força espiritual e conforto para sua alma. Ele tinha uma missão que se estendia além de aprender a ter fé. Era preciso cumpri-la, por isso em pouco tempo manifestava-se através dele, seu protetor Ogum de Ronda abrindo caminho para o Exu, que chegava gargalhando e de chicote na mão. Artefatos que usava no astral para auxiliar, acordando a todos quantos estivessem esbarrando nos limites da Lei.

Ao sentir sua presença, Francisco agradecia. Ele foi privilegiado em conhecer estes artefatos, graças a Deus.

História Contada por Vovó Benta – Livro Causos de Umbanda - Leni W. Saviscki

sábado, 22 de outubro de 2011

Os Cuidados com a Mediunidade



Dentro de sua ousadia, esses obsessores envolvem o médium dando-lhe “poderes” e sensações prazerosas em nível de terra. Atendem rapidamente as necessidades mais mundanas do médium e se apresentam como “solucionadores” de diversas questões. Mas ainda não é aí que começa a cobrança. O médium empolgado desvia-se ainda mais, começa a procurar lugares onde haja o mesmo tipo de afinidade vibratória, e tudo que estudou recebe outra conotação. Começa a atender pessoas em casa e a pedir, sugestionado pelos obsessores, os elementos que irão satisfazer as necessidades deles, e não vê nada de mal em cobrar também pelo trabalho que irá executar. Afinal tem que “salvar o santo”, “salvar o chão”, e salvar não sei mais o que.

A pessoa que foi pedir, poderá ou não receber a “graça”, ou seja, a solução tão desejada, mas certamente ela receberá algumas tantas companhias que turvarão ainda mais sua mente já tão conturbada e perturbada pela dor. Neste caso em especial, não receber a “graça” é que é a verdadeira graça, pois é sinal que a pessoa não está tão envolvida assim com a espiritualidade inferior.

O segundo aspecto desta questão é quando envolvem o sagrado nome da Umbanda nestes trabalhos. A Umbanda não se presta a este tipo de coisa. Quem assim o diz está desviado de seu caminho. A Umbanda trabalha justamente para combater o astral inferior e não compactua com obsessor, mas o orienta e doutrina, ao contrário também do que muitos pensam.

Neste embate a primeira linha que é utilizada pela Umbanda é a linha de Exu e Pomba Gira, porque são as entidades determinadas pelo Astral Superior para esse trabalho em função de suas características vibratórias, a sua enorme capacidade de manipulação energética e seu profundo conhecimento das armadilhas do astral inferior. Exu trabalha para ascender às hostes superiores, ou seja, para um dia vir a ser um Caboclo ou Preto Velho, portanto jamais irá se deixar seduzir por armadilhas que ele tão bem conhece. Além do mais, Exu trabalha sob as ordens de espíritos superiores que são os enviados de Orixá. Logo, por dedução simples e lógica não faz sentido a afirmação de que Exu faz tanto o mal quanto o bem, que não sabe diferenciar um do outro; isso significaria inocência, coisa que está longe de ser uma das características de Exu; além de significar que Exu seria um idiota, e não um espírito de luz, guardião e defensor.

Exu é passional? Sim, Exu é passional, mas não é bobo e muito menos violenta o livre arbítrio de ninguém, portanto Exu não bate, não exige oferenda especial nenhuma, utiliza sim os elementos quando oferendados, única e exclusivamente para manipular as energias volatilizadas para a consecução dos objetivos propostos pelo Astral Superior, e o mesmo não propõe que o Exu beba.

Umbanda Mitos e Realidades - Capítulo 11 – Algumas Mensagens Especiais -  Iassan Ayporê Pery

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Oração ao Guardião Senhor Tranca Ruas



Faço reverência a vós mistério sagrado da criação, vós que sois a manifestação do divino, peço que possa se manifestar entre nós, conforme nosso merecimento. No seu poder, na sua força, e na sua magnitude, pelo caminho tripolar que emana de vós, pelo caminho que só vós conheceis, pela força que só a vós pertenceis, e pelo poder de trancar a vós concedido, eu peço:

Que as trevas que habitam em mim sejam trancadas.
Que o ódio e o sentimento impuro, que emanam da minha alma, sejam trancados.

Que a falsidade que exala dos meus poros seja trancada.

Que o rancor e a miséria que habitam o meu coração sejam trancados.

Que a dissimulação e a superficialidade, que nasce da minha língua, sejam trancados.

Que o egoísmo e a maldade, que transcendem da minha mente, sejam trancados.

Que a palavra torta que sai da minha boca e o pensamento roto que sai da minha cabeça contra o próximo, sejam trancados.

Que a capacidade que os meus olhos têm de amaldiçoar e destruir sejam trancados.

E assim, fonte primária da criação, assim que trancar a tudo isso no seu âmago, pois é na vossa essência que tudo isso se desvitaliza, peço a vós que:

Destranque todas as portas do meu caminho.

Destranque todas as passagens da minha jornada.

Destranque toda prosperidade material e espiritual.

Destranque o meu coração das amarguras.

Destranque o meu sustento de cada dia.

Destranque os meus corpos espirituais e o meu corpo material da agonia, do desespero e da aflição que me assolam na calada da noite.

Destranque o meu emprego, o meu negócio e a minha morada material.

Destranque o martírio familiar pelo qual eu tenho passado.

Destranque os meus olhos para as maravilhas do mundo espiritual.

Destranque a minha liberdade!

Pois vós, Força Sagrada do Divino Criador, é o portador supremo da Vitalidade!

Salve o Mistério Tranca-Ruas!!!


Laroyê Exu Tranca Ruas!!!


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Não haveria luz se não fosse a escuridão...

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.”

Allan Kardec.

Liga da Justiça Umbandista

Liga da Justiça Umbandista
O Homem de Bem O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça. Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. Allan Kardec.