Seguidores dos Guardiões e Guardiães de Umbanda

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Trabalho de Exu



Estou num canto do terreiro observando os trabalhos. Os médiuns já estão em posição, velas foram firmadas, todos já bateram cabeça. Os pontos invadem o salão.

Na assistência pessoas que frequentam a casa com assiduidade e outras que pisam pela primeira vez. Sinto que algumas estão visivelmente emocionadas, seus protetores estão ali. Outras estão suando frio, passam mal, estão agoniadas, afoitas para saírem dali.

Espíritos trevosos estão atuando sobre elas, querem sair dali o mais breve possível, pois temem serem descobertos. Certamente serão afastados e não poderão perturbar aquelas pessoas.

A Mãe de Santo vibra com intensidade, na corrente um médium balança a cabeça, parece que vai cair. Percebo que seu caboclo está por perto.

O médium ainda é novo, não está totalmente integrado com seu guia, mas com paciência e amor, em breve estará incorporando seu caboclo.

Na corrente, muitos estão incorporados.

O caboclo chefe, toma a Mãe de Santo, com faz há décadas e brados de guerra são ouvidos.

Na medida em que os irmãos da mata chegam, trazem forte energia para todos. Unidos numa só força, eles, através dos passes, retiram da assistência os eguns e kiumbas, limpam as pessoas estão perturbadas, e transmitem força e esperança.

As pessoas que antes choravam, agora sorriem aliviadas. Dores são aplacadas. Vejo que muitas daquelas pessoas em breve, estarão também recebendo os seus guias.

Embora esteja acostumado a ver essas cenas, sempre me emociono.

Daqui do meu canto, serenamente acompanho os trabalhos.

Repentinamente uma jovem da assistência, põe-se a vociferar. Sua voz antes melodiosa e serena, torna-se grave e arrogante. Ela tenta agredir os fiscais da casa, que habilmente a conduzem para dentro do terreiro.

Sem dúvida o kiumba que a acompanha é muito perigoso. Os caboclos estão alertas, nem bem cruza a porteira, o kiumba grita, xinga, tenta machucar a pobre moça, diante da mãe desesperada que se encontra na assistência.

Os caboclos abrem a roda, os atabaques soam mais alto. O caboclo chefe se adianta sobre ele, forte energia circula sobre o corpo da jovem moça. O caboclo não quer que ela se machuque, ele vibra sua maracá e o caboclo da menina pela primeira vez aproxima-se da filha com força.

Chegou minha hora, me aproximo calmamente. O kiumba evita meu olhar, se desespera. Sorrio e caminho em sua direção, preparo minhas armas. Ele grita, esbraveja.

O caboclo pede meu apoio. Não me faço de rogado, para desespero do kiumba, de um salto estou com minha espada em sua garganta.

Domino-o com facilidade. Chamo outros que o amarram e o levam para seu devido lugar. Outros kiumbas menores que o acompanhavam, também são capturados e receberão seus “castigos”.

A moça acorda leve e feliz. Os caboclos terminam o descarrego, agradecem meu auxílio.

Eu volto para o meu canto, ali na cafua observo o fim dos trabalhos.

Minhas velas, meus charutos, meu marafo estão firmados.

Os trabalhos terminam, todos se vão felizes.

E eu, na porteira, estou de sentinela...

Laroyê!!!


Fonte TEPJAB

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Trabalho de um Exú Guardião Capa Preta



O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá. Podia senti-la, captava sua angustia, sua indecisão, e acima de tudo seu medo. Ela não estava só, alem de mim, vi outros que a acompanhavam. Eram de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado. Tentavam envolvê-la com uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais nervosa e também mais decidida. Eu os via, mas eles não me notavam. À medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais mais e mais pessoas entravam. Todos apressados para chegar em casa. O coletivo corria em direção a periferia da cidade. Ela esta lá, meio deslocada, olhava com insistência um pedaço de papel. Ali em suas mãos o endereço que segundo ela mudaria seu destino. Ato continuo ela toca a campainha, o ônibus para, descemos...

Aqueles que a acompanham, vibram, ela esta na iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito tempo. Vibram com tanto ódio que ela enfureceu-se consigo mesma. Como se deixara envolver por aquele rapaz? Tinha que resolver isso imediatamente e tratar de seguir sua vida, sem que seus pais soubessem. Ela verifica o número anotado, esta perto. Chega a uma casa humilde, como todas as outras ali no bairro. Toca a campainha é atendida por uma senhora que executara o serviço. A mulher a analisa rapidamente, já vira muitas iguais a ela, não tem tempo para conversa fiada.

Pede-lhe o dinheiro e manda que espere, pois existem duas mulheres na frente dela. Ela senta-se e aguarda. Eu tenho que agir rápido. Vibro minha espada no ar, e os seres trevosos que a acompanham estarrecem ante minha presença. Fatalmente eles me notam,agora ou correm ou me enfrentam. Decidem sabiamente pela primeira opção, saem da casa, mas ficam do lado de fora, tentando contatar outros que podem vir ajudá-los. Aproveito para me aproximar dela. Envolvo-a com minha capa, ela se acalma, por um instante, sugestionada por mim e titubeia. Já não tem certeza se deve continuar. Eu vibro em seu mental para que saia dali vá tomar um ar fresco lá fora. Ela me atende. Quando chega , ainda envolvida por minha capa, torna-se invisível para os que a acompanham. Tenho que me materializar. Ela assusta-se ao me ver, tenta gritar não consegue, tenta voltar para dentro da casa, mas eu a impeço. Chamo-a pelo nome, digo-lhe que não deve me temer, falo que venho em paz. Tenho uma missão: Evitar que ela faça o aborto. Não deve impedir aquele espírito de vir ao mundo. Pouco importa se a concepção fora fruto de uma aventura. Deve deixá-lo vir. Será um menino, veio do passado para cumprir uma missão, ela não deve abortá-lo. Sei que seus pais não aprovarão a gravidez, mas me comprometo a acalmá-los e fazê-los aceitar.

Ela chora, não entende como pode estar ouvindo aquilo. Falo com tanta firmeza que ela quer saber quem sou. Digo-lhe que me chamam de Exu Capa Preta, sou um guardião, protegerei o menino que ela carrega no ventre. Estarei ao lado dele a vida toda, acompanhando-o, guiando-o e protegendo-o. Portanto ele não deve temer. Chorando ela consente, avança para a rua, toma um ônibus e retorna para casa. Protejo-a durante a gravidez, o menino nasce forte e saudável, cresce sem sobressaltos como prometi. Sempre que acho conveniente deixo-o que me veja, aos poucos vou me apresentando. Hoje ele esta feliz, acabara de completar 18 anos.

Seus amigos comemoram a data festiva. Movido pela curiosidade o rapaz resolve conhecer um terreiro de Umbanda. Estou ansioso, chegou meu grande dia! Ele chega, senta na assistência. Lá dentro uma gira de Exu. Eu já me entendi com o Exu chefe da casa, somos bem vindos. Quando ele entra para tomar um passe com linda Pomba Gira eu tomo-lhe à frente e incorporo. Abraço a moça com carinho, já nos conhecemos de longa data, fumo, bebo, canto. Daqui para frente haverei de incorporar sempre que necessário. E assim foi. Ele desenvolveu, abriu seu próprio terreiro, cumpre com amor e carinho sua missão. De minha parte não o abandono nunca. Estou sempre disposto e feliz, pronto para incorporar. Através dele ajudo a todos que me procuram. Também trago em terra outros que vêem cumprir a missão. Sua mãe sempre que estou em terra me abraça com carinho e gratidão.

         Salve o Trabalho dos Exus na Umbanda,

Laroyê Exú Guardião Capa Preta!

Por Cássio Ribeiro

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mensagem de Dona Maria Mulambo



Hoje falo à vocês que têm necessidades de definir, rotular e catalogar a tudo e a todos. Como se isso lhes desse alguma garantia de credibilidade e lhes amputassem as dúvidas que insistem em roubar-lhes a vida.

Primeiro, nós espíritos trabalhadores do bem, embora sejamos organizados naturalmente em padrões vibratórios que nos servem de moradas temporárias, não somos seres automatizados, criados em série, com códigos de barras.

Segundo, não somos serviçais particulares nem de cavalos nossos, nem de consulente algum. Nem nossa hierarquia nos obriga a fazer algo que não queiramos. Temos personalidades individuais, afinidades. Estamos em evolução e com um longo caminho pela frente. Ajudando a vocês, ajudamos a nós mesmos. Mas nem sempre é viável ou cabível a ajuda que nos pedem. Muitos de vocês não fazem nada, ou fazem muito pouco para melhorarem a  si mesmos, aos seus realcionamento e ao seu próximo. Querem soluções mágicas, sem esforços ou danos, fazem escolhas absurdas, se metem em todo o tipo de confusões, procuram o caminho mais difícil, jogam-se em abismos, atraem obsessores, fazem tudo errado. E depois ficam bravos quando não transformamos suas vidas em um paraíso da noite para o dia. Francamente, não somos santos e paciência tem limite, até do lado de cá. Se digo isso é porque sei o que é viver duramente. Muitos  são os que nasceram comprometidos com duras provas à resgatar, são esses os que mais precisam de nós, e têm a nossa cobertura, dentro do que nos é permitido ajudar.

Terceiro, ou vocês acreditam em nós, ou nos deixam em paz. Porque não temos nem interesse e nem tempo à perder com ingênuos que nos cobram, ou pior ainda, cobram de nossos cavalos, informações que nós não passamos para eles.  Nossos cavalos (médiuns) sabem penas o que queremos ou permitimos. Até sobre suas próprias vidas, não temos autorização para lhes passar todas as informações que gostariam. Que lhes interessa saber quantas encarnações eu tive, ou como vivi em cada uma delas. Criam as mais absurdas lendas a nosso respeito, isso até que nos diverte um pouco, quanta ingenuidade.

Entendam definitivamente  que nossa missão não é satisfazer curiosidades de quem quer que seja, não somos bobos da corte, para entretenimento de quem não tem nem fé e nem vida verdadeira. Aproveitem suas vidas de modo construtivo.

Sei que por muito tempo ainda, a maioria das pessoas irá acreditar que somos espíritos malignos, não tementes a Deus.

Ah meus queridos, se vocês soubessem quantos mistérios, quantos mundos e quantas realidades pairam sobre suas cabeças…

Mensagem de Dona Maria Mulambo, recebida pela Médium Claudia Baibich.
Fonte: http://pombagiras.blogspot.com

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Exu




“O guardião das trevas,
nunca deixará o devedor impune,
nem de amparar quem merece.”


Pai Exu, é o guardião dos caminhos, e das encruzilhadas. Vigia as passagens, abre e fecha os caminhos. É ele quem faz a comunicação entre os seres humanos e os demais Orixás. Quando se faz alguma oferenda e pedido aos Orixás, é Exu quem transporta a oferenda (essência) e a mensagem. É essa uma das razões, porque Exu deve ser sempre ofertado primeiro que todos. Inclusive nas casas de culto, Exu e Pomba Gira – seu complemento feminino, são sempre saudados e oferendados antes de se iniciar qualquer ritual.

Mas além de mensageiro, é Exu quem protege os médiuns e as casas de culto, de espíritos perturbadores, para que a caridade possa ser praticada durante os rituais, e durante o atendimento.
Exu e suas falanges, são os “soldados” dos Orixás. Cada Orixá tem o seu Exu ou Pomba Gira correspondente, que representa o seu pólo negativo, o seu representante ou serviçal nas trevas. E como cada Orixá tem várias qualidades dependendo do seu campo de actuação, para cada qualidade diferente há um Exu ou Pomba Gira chefe de falange correspondente, que por sua vez comanda a sua enorme falange, que se vai dividindo hierárquicamente.

Costuma-se dizer que cada Exu chefe de falange, comanda sete sub-chefes, que por sua vez cada um comanda mais sete, e assim se vai multiplicando sempre por sete. Sendo os que ocupam cargos mais altos dentro da hierarquia, os mais evoluídos, com mais luz e conhecimento, normalmente chamados de “tronados” e “coroados”, e os que se encontram mais abaixo, são os espíritos sem luz e trevosos que foram recrutados, e lhes foi dada a oportunidade de evoluírem servindo a luz nas trevas.

Os Exus atuam no baixo astral, combatendo os espíritos trevosos e demoníacos, e são os responsáveis pela estabilidade e equilíbrio nas trevas, sempre sob a luz da lei e da justiça divina.
Foram infelizmente sincretizados como diabos e demônios pela igreja católica, e não só. Atualmente existem algumas igrejas que os utilizam erradamente como rótulo da maldade, e responsáveis pelos males do mundo. Esta visão errada, deve-se em parte ao fato de que quando incorporados em seus médiuns, costumam falar de jeito maroto, dançam de forma sensual, dizem piadas, bebem álcool, e aceitam muitas das suas oferendas em encruzilhadas, juntando ainda o facto de usarem as cores preto e vermelho, que lhes dá ainda um ar mais sombrio.

As pessoas que são médiuns videntes, quando os veêm, conseguem ver que usam por vezes tridentes ou outras armas astrais, uma roupagem fluídica, e uma forma grotesca e assustadora. Tudo isso para intimidar e amedrontar, os seres do baixo astral com que têm de lidar.

Ora todos estes fatos e relatos, incluindo seus métodos agressivos de atuar, fizeram com que Exu fosse representado como tendo chifres, pés de bode, garras, tridentes, e tudo de maneira a parecer o mais demoníaco possível. Mas Exu não é demônio. Exu protege os encarnados dos seres demoníacos que vivem no Umbral mais denso e negativo. Exu é o braço armado de Deus nas trevas, é o policia do astral. Por vezes, sua maneira de atuar, pode parecer demasiado ofensiva e até maldosa, mas é necessário, pois os seres demoníacos das trevas não entendem outra linguagem. A picada de um escorpião, é combatida com o seu próprio veneno...

Hoje em dia, seu símbolo mais usual é o tridente, mas em África, ainda costuma ser representado como um falo, como era inicialmente. Representando assim, o aspecto sexual que possui, associado á copula e á virilidade.

Exu tem também o poder oracular, pois como se costuma dizer:

Exu tudo sabe, tudo ouve, tudo vê, e tudo transmite. É por isso muito procurado e apreciadas suas consultas quando incorporado em seus médiuns, pois logo vai falando e tentando arranjar solução para todos os problemas. Nas lendas Iorubás, foi Exu quem trouxe aos homens o Oráculo de Ifá – os dezesseis odus com que se joga o jogo de búzios.

É costume dizer-se, que Exu tem duas cabeças, uma que olha em frente e outra que em simultâneo olha para trás. E na verdade é quase isso, pois Exu vive na dualidade.

Sabe fazer o bem, mas conhece o mal. Serve os seus interesses, mas também o interesse alheio. Caminha direito em caminhos tortos, caminha torto em caminhos tortos, só não caminha direito em caminhos direitos.

Sendo Exu um elemento neutro, só atua de duas maneiras: ou ativado pela lei maior e atua como agente cármico; ou ativado pela magia.

Como agente cármico, é o responsável por esgotar o cárma dos seres, atuando sempre sobre as ordens dos amados Orixás, fazendo cumprir a lei e a justiça divina. Como agente mágico, atua quando é oferendado ritualisticamente, por quem conhece os mistérios da magia, atuando sempre na neutralidade, e declinando sempre as responsabilidades em quem o ativou e lhe pagou. Mas neste caso, é preciso ver que existem vários graus dentro da hierarquia dos Exus, e quanto mais elevado o grau, mais conhecimento e luz possuem. Sendo que só aceitam trabalhos de magia para prejudicar alguém, ou interferir no livre arbítrío dos seres, os Exus que têm pouco grau ou nenhum. São Exus que não têm ainda luz, e não sabem a diferença do bem e do mal. Inclusive, na maior parte das vezes nem são Exus, mas sim Kiumbas – espiritos caidos, do baixo astral, que se fazem passar por eles para se saciarem com as oferendas. Os verdadeiros Exus de lei não aceitam estes trabalhos, pois têm conhecimento e luz suficiente, para entenderem que se o fizerem, estarão a ofender a lei maior e serão castigados, despromovidos nas suas hierarquias, e atrasada sua evolução. E se por acaso, alguém tenta activá-los magisticamente para estes trabalhos, eles se viram contra quem os activou.

Infelizmente estes Kiumbas farsantes de Exu e Pomba Gira, conseguem muitas vezes penetrar em rituais nos terreiros de Umbanda, Candomblé e outros cultos Afro, fazendo passarem-se pelo que não são, aumentando ainda mais a má fama de nossos irmãos Exus e Pomba Giras.

Estas situações acontecem frequentemente, nas casas que não têm a proteção de Exus de lei como deveriam. Ora porque o dirigente da casa, é um pai ou mãe de santo farsante e a casa não tem fundamentos nenhuns, ou os que tem estão mal feitos e sem conhecimento; ou porque a própria casa, é muito dada e ligada a magias negras, e assuntos que nada têm a ver com a caridade e evolução espiritual.

Existem lamentavelmente, alguns casos tristes de atuações destes Kiumbas, pois conseguem tão astutamente enganar as pessoas, que chegam até a pedir sexo em troca de favores. Em geral, encharcam-se em álcool, gostam de vestir-se de maneira exageradamente sensual (quase despidos), fazem gestos obscenos e usam um baixo calão. Falam quase sempre em sexo, e gostam de se exibir, provocar e humilhar os demais, chegando inclusive ao ponto de exporem em frente aos outros, a vida pessoal das pessoas que vão em busca de ajuda.

É também verdade, que por vezes é necessário um Exu ou Pomba Gira, falar rude com o consulente de maneira a que leve um “choque”, mas um Exu ou Pomba Gira de verdade, em geral, fala só e diretamente com a pessoa, procurando sempre ajudá-la, não fazendo nunca com que se sinta pior do que já está. Outra verdade, é que por vezes, e em algumas casas, os verdadeiros Exus e Pomba Giras, deixam que os Kiumbas penetrem, criando “armadilhas”, para depois os capturarem e encaminharem na senda da evolução, segundo a justiça divina e a lei maior.

Desmantelando em seguida esses terreiros, causando problemas, doenças, ou outras causas que vão afastando os médiuns, deixando os dirigentes sós e a contas com a justiça divina.

De qualquer forma, todos os seres que vivem do mal, ou fazendo mal a outros, vão ter sempre mais cedo ou mais tarde, o retorno do que fizeram.

Convém também lembrar, e em especial aos que são médiuns ou de alguma forma estejam ligados ao espiritual, que pela lei das afinidades, só pode atrair bons fluidos e espíritos de luz, quem de fato gerar em si sentimentos virtuosos e tenha ações nobres. Pois caso contrário, más ações e sentimentos negativos, só atrairão Kiumbas, maus fluidos, e espíritos trevosos.

Os seres do baixo astral, são alimentados pelas más atitudes, maus pensamentos e sentimentos dos seres encarnados, ou desencarnados. Cada mal que praticam leva-os para níveis mais baixos, provocando ainda mais revoltas. Alguns caem tanto, que perdem a consciência humana e os seus corpos astrais, e chegam a transformarem-se em figuras grotescas e horrendas.
Em geral, considera-se que no Umbral existem sete níveis negativos, sete camadas onde vivem e se purgam os seres trevosos. Considerando-se que as ultimas duas camadas mais baixas, estão na total ausência de luz, e são habitadas por seres demoníacos que perderam na totalidade a consciência humana. São estes seres que os Exus combatem principalmente, pois vivem na maldade pura, e sempre tentando capturar para as suas hostes mais espíritos caídos, levando a humanidade para a parte negativa.

Em outro aspecto, é Exu quem irradia nos seres a vitalidade, em especial o vigor físico e sexual. Exu pode vitalizar, isto é, aumentar ainda mais as qualidades vibradas nos seres pelos Orixás, ou desvitalizá-las conforme as necessidades e merecimento dos seres. Um Exu, tanto pode punir o ser que se desvirtuou e se afastou da irradiação luminosa dos Orixás, desvitalizando-o e paralisando-o, esgotando o seu cárma. Como o pode irradiar e vitalizar, enchendo-o de força, de energia e vigor, caso o ser caminhe no sentido correto da lei divina. Sempre protegendo o ser, sem nunca interferir no seu livre-arbítrio, congratulando-se quando o seu protegido caminha no sentido da evolução, e sofrendo sempre com as suas quedas.

A atuação dos Exus, Pomba Giras e os amados Orixás, englobam tudo e todos. Não só as religiões Afro-Brasileiras, mas todas as existentes no planeta, pois todas têm o seu pólo positivo e o negativo. Como é lógico, têm diferentes denominações, consoante as diferentes religiões, zonas e culturas, mas sempre de maneira a que possam desenvolver as suas missões, na realidade material e nos planos subtis.

Apenas para terminar e dar um exemplo, na cabala judaica, os Exus têm nomes que derivam do latim e das religiões pagãs. Chamando por exemplo “Astaroth” ao Exu Rei das Sete Encruzilhadas, “Hael” ao Exu da Meia-Noite, “Fleuruty” ao Exu tiriri, “Belzebu” ao Exu-Mor, e “Klepoth” á Pomba Gira. Em alguns paises orientais, a Pomba Gira Maria Padilha é conhecida por “Shinji”.

               Imagem e texto extraidos do livro: " Orixás em poesia " de Paulo Lourenço (Ramiro de Kali) Copyright © 2008
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Não haveria luz se não fosse a escuridão...

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.”

Allan Kardec.

Liga da Justiça Umbandista

Liga da Justiça Umbandista
O Homem de Bem O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça. Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. Allan Kardec.